O incomparável Amor de Deus

Para temer ao Senhor, precisamos crer num Deus que
não cabe em nossa estrutura mental e espiritual. Deus
está na Bíblia, mas Deus não cabe na Bíblia, porque lhe
é maior. Deus se manifesta em nossas vidas, mas Deus
não cabe em nossas vidas, porque é superior.
Nosso conhecimento acerca de Deus é apenas
conhecimento acerca de Deus. Não é Deus. Deus é
insondável. Ninguém o pode alcançar. Ele se apresenta
numa sarça, mas não é uma sarça. Ele se revela numa
brisa suave, mas não é uma brisa. Ele se mostra num
irmão necessitado, mas não é um irmão necessitado.
Um Deus limitado age limitadamente. Um Deus
ilimitado age ilimitadamente.
Precisamos de um Deus que esteja além de nossos
conceitos, formados por nossas leituras e experiências.
Nossas leituras e experiências são apenas lampejos de
quem Deus é.
Precisamos de fé para falar de Deus. É só pela fé que
Ele se apresenta a nós, ou melhor, é só pela fé que
conseguimos vê-Lo. Precisamos de uma experiência
viva com Deus para que nossa fé nEle cresça.
A síntese do salmo 36 é esta: Quando tememos a
Deus, celebramos o amor de Deus.
1. O amor de Deus é abrangente (versos 5-6 – “O teu
amor, Senhor, chega até os céus; a tua fidelidade até as
nuvens. A tua justiça é firme como as altas montanhas;
as tuas decisões insondáveis como o grande mar. Tu,
Senhor, preservas tanto os homens quanto os
animais”).
O amor de Deus é tão abrangente que chega ao
firmamento, para além das nuvens. O amor de Deus é
tão abrangente que inclui os animais e até mesmo as
plantas. Lemos numa exaltação ao Senhor que “até o
pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si,
para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu
altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus”
(Salmo 84.3). E lemos também que Jesus garante que
valemos “mais do que muitos pardais!” (Mateus 10.31).
2. O amor de Deus inclusivo (verso 7b – “Os homens
encontram refúgio à sombra das tuas asas”).
O amor de Deus é tão inclusivo que é como se Ele
tivesse asas, para nos alcançar, para nos cobrir, para
nos carregar, para nos aquecer. As asas de Deus nos
protegem. (Salmo 17.8 – “esconde-me à sombra das
tuas asas”; salmo 91.4 – “Ele o cobrirá com as suas
penas, e sob as suas asas você encontrará refúgio; a
fidelidade dele será o seu escudo protetor”.) As asas de
Deus nos curam. (Malaquias 4.2 “Para que vocês que
reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará
trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão
como bezerros soltos do curral”.)
3. O amor de Deus é completo (verso 6a,b — “A tua justiça é
firme como as altas montanhas; as tuas decisões insondáveis
como o grande mar”).
O amor de Deus é tão completo, que inclui a justiça. Só Ele
ama com justiça. Este amor completo é exigente (por isto, é
“firme como as altas montanhas” – verso 6a). Quem ama um
lho sabe o que significa um amor completo, que é exigente,
mesmo que o alvo do amor não entenda. Quem gosta de
ouvir um “não”, mesmo que o “não” seja a sua salvação?
4. O amor de Deus é generoso (verso 8 – “Eles se
banqueteiam na fartura da tua casa; tu lhes dás de beber do
teu rio de delícias”).
O amor de Deus é tão generoso, que nos convida a que nos
banqueteemos com as suas delícias. Saímos do Éden, mas
podemos fruir de algumas de suas delícias que estavam ali
para nós. Deus é o anfitrião da festa. Ele abre a casa. Ele põe
a mesa, salmo 23.
5. O amor de Deus é vital (verso 9 – “Em ti está a fonte da
vida; graças à tua luz, vemos a luz”). O amor de Deus é vital
no sentido que Ele é a fonte de vida (verso 9 – “Em ti está a
fonte da vida”). Somos chamados a beber desta Fonte
condutora. (Isaías 58.11 “O Senhor o guiará constantemente;
satisfará os seus desejos numa terra ressequida pelo sol e
fortalecerá os seus ossos. Você será como um jardim bem
regado, como uma fonte cujas águas nunca faltam”.
O amor de Deus é vital também no sentido que nos dá vida.
Amar-nos foi uma decisão de Deus. (João 3.16 – “Porque
Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito,
para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida
eterna.”). Todo o Evangelho contém esta notícia; os
evangelhos foram escritos para nos comunicar esta verdade.
(João 20.31 – “Estes foram escritos para que vocês creiam
que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida
em seu nome”.) Crendo em Jesus, temos vida plena (João
10.10b).
O amor de Deus é vital no sentido que nos mostra a luz que
é Ele mesmo (verso 9b — “graças à tua luz, vemos a luz”).
Outra tradução deste verso do saltério garante: “à tua luz,
vemos a luz”. Se estamos conscientes do amor de Deus, há
túneis em nossas vidas, mas há luz neles. Se vivemos na
presença de Deus, há trevas ao nosso redor, mas não
sucientes para apagar a luz de Deus nos nossos corações.
O amor de Deus nos mostra Deus. (João 8.12 — Falando
novamente ao povo, Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo.
Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da
vida”.)
O amor de Deus é vital no sentido que nos convida a
comunicar vida aos outros, o que acontece quando os
amamos, apresentando Cristo a eles e promovendo vida
neles. (1João 3.16 – “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus
Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida
por nossos irmãos”).
Pr. Israel Belo de Azevedo

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